quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

América - Estadual 1971

Em pe: Nino, Cláudio, Osmar, Jairo, Anchieta e Pirangi.
Agachados: Zezé, Zé Ireno, Toia, Valdeque e Burunga.

Reportagem da época (jornal desconhecido):
América 2 x 0
ADEUS ESCRITA

Quando o ABC acertou uma bola na trave de Jairo e este, milagrosamente, voltou a defender numa cabeçada certeira de Josenildo, muita gente acreditou que era chegado o dia do América quebrar a velha escrita.

Nos confrontos entre as duas equipes a sorte nem sempre estava ao lado dos rubros, que acabam perdendo ou, no máximo, ficando no empate.

Mas, como araruta tem seu dia de mingau, segundo velho refrão popular, ontem foi o dia D.

O espetáculo esteve à altura de sua tradição, com um público realmente impressionante batendo um novo recorde de arrecadação no velho campinho de Tirol. O ABC começou a partida com todo o gás, não obstante o detalhe de estar atacando para cima, enquanto o América mostrava-se indeciso na defesa, titubeante na meia cancha e quase nulo na ofensiva.

A rigor, a única peça realmente funcionando bem era o goleiro Jairo, de uma tranquilidade acima do normal. Com isso, esbarravam os ataques do alvinegro, que, assim mesmo, persistia buscando a abertura do marcardo. O maior corredor era pelo lado direito, com Pirangi dando enorme folga a Zé Maria, que realizava investidas perigosíssimas pela direita. Esse estado de coisa durou exatamente 45 minutos iniciais, com o bombardeio sendo diminuído esporadicamente, em ataques tentados por Zezé, pela direita. Num deles, a bola saiu rolando pelo meio e foi até Burunga, que centrou e Ireno testou com incrível violência, vencendo Erivan. Aí, estava provado que o dia seria rubro. Até então (pelo menos durante os anos 70 foi assim) quem atacava mais era o América, porém, quem marcava era o ABC. Ontem, houve o inverso.

Para o segundo tempo, Caiçara resolveu precaver-se, porque até mesmo o empate proporcionaria ao clube ganhar o turno da Taça, embora o grande objetivo do treinador fosse a vitória, sonhada por muitos dias. Ele recuou Osmar, deixando-o como líbero, alguns metros além dos quatros zagueiros.

Isso foi uma arma que Prudêncio não notou a tempo, só verificando que o ataque do seu time estava tolhido nos passos à altura dos 60 minutos (15 da 2ª fase), tirando Zé Maria e colocando Gilson. Ainda assim as coisas mudaram muito pouco, embora seja inegável a maior pujança física e técnica do novo atacante, cuja vontade de marcar quase o levava a atingir o goleiro Jairo.

Aos 70' e 75' Caiçara deu outra de mestre, tirando Pirangi e colocando Duda, com sangue novo, e fazendo entrar Edmilson no lugar de Zezé. O primeiro servia para compensar a presença de Gilson, que vinha fresquinho, enquanto Edmilson levava a finalidade de parar a bola, já que Zezé, na ânsia quase incontida de querer vencer ao ABC não fazia o jogo indicado pelo momento.

Antes, Prudêncio havia tentado uma saída na base de Gonzaga substituindo a Correia, já que o pernambucando não estava nos seus melhores dias. A fórmula têve resultado apenas sob o aspecto ofensivo, já que Gonzaga vai mais à frente que o seus substituído. Mas, paradoxalmente, ficou o negócio atrás mais fácil para o América.

Tanto é que, quando todos esperavam que o quadro rubro fosse recuar, o que se viu foi quase o contrário, isto é, um jogo dividido pendendo mais para os lados americanos. A maior prova disse é que, quando Meireles concluiu a partida a bola estava no campo do ABC.

Destaque
No América, é inegável que a maior figura foi o goleiro Jairo; quer pelas defesas impressionantes que fez, quer pela calma nas horas difíceis. Sua tranquilidade irradiou aos demais companheiros. Sem dúvida, a maior aquisição do América-71. Na zaga, Cláudio e Anchieta tiveram um início confuso para depois subirem de produção, o mesmo ocorrendo com Pirangi e Nino.

A meia-cancha, com as incertezas que eram esperadas pela falta de união ente os dois. Mais tarde, com as atribuições individuais, cada um cumpriu fielmente sua missão. No ataque, os destaques foram poucos. A fase inicial mostrou uma ofensiva temerosa, com Toia muito parado e com medo de Edson (de quem levou usn gritos e acuou-se). Na etapa final, com o esquema adotado por Caiçara a produção foi bem melhor, com isso melhorando Toia, melhorando Burunga e até mesmo Ireno, que àquela altura, estava preocupado em ajudar o meio campo.

No ABC, Erivan teve pouco o que fazer no primeiro tempo. No segundo, quando se esperava que fosse trabalhar muito menos, ocorreu o contrário.

Fez uma defesa de grande vulto, Edson foi o melhor zagueiro, seguido de Josemar e Anchieta.

Fraco todo meio campo e fraco também o ataque, que teve peque lucidez de Alberi. Edavaldo, que vinha sendo o espantalho, omitiu-se.

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